4,3 MILHÕES DE PESSOAS E R$ 2 BILHÕES: o tamanho real do esquema do “Careca do INSS” — e o que a empresa de capacetes tem a ver com esse endereço

4,3 MILHÕES DE PESSOAS E R$ 2 BILHÕES: o tamanho real do esquema do “Careca do INSS” — e o que a empresa de capacetes tem a ver com esse endereço

Antes de qualquer sigla ou razão social, há o número mais brutal do caso: 4,3 milhões de aposentados e pensionistas atingidos e R$ 2 bilhões desviados dos cofres públicos entre 2019 e 2024. É o resultado da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que apura os descontos irregulares cobrados diretamente de benefícios — aquele valor que aparece na fatura de quem já não tem margem para discutir.

No centro do esquema está Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS“, preso preventivamente desde setembro de 2025 no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Segundo a investigação, ele operava empresas usadas para movimentar recursos provenientes das mensalidades descontadas irregularmente de aposentados e pensionistas. É essa engrenagem — feita para transformar centavos descontados de milhões de pessoas em patrimônio — que tem 16 empresas registradas na sala 2601 do bloco D do Edifício Connect Towers, em Águas Claras.

O que a sala 2601 reúne

A apuração do ICL Notícias, repercutida pelo Estado de Minas, mostra que o endereço comum não é apenas um número de porta: a empresa de capacetes da família Bolsonaro e as firmas do Careca usaram os serviços da mesma contabilidade. A Bravo Grafeno — aberta pela família Bolsonaro em junho de 2024, com capital social de R$ 100 mil, vendendo capacetes e acessórios para motociclistas — tem entre os donos o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), e conta com o ex-presidente Jair Bolsonaro como garoto-propaganda da marca.

Do outro lado da mesma porta, os CNPJs de um grupo apontado como operador financeiro de um esquema bilionário contra aposentados. Flávio já negou envolvimento no escândalo do INSS, e não se manifestou quando procurado sobre as novas informações; a defesa do Careca também não respondeu.

A conta que não cabe na planilha

Um capacete vendido a um motociclista é uma transação individual, rastreável e honesta por natureza. Um desconto de alguns reais na conta de 4,3 milhões de aposentados é outra coisa: é escala. O que liga os dois universos não é o produto — é o endereço e a contabilidade. E é justamente aí que a investigação quer chegar: entender por que a estrutura que movimentava recursos desviados de benefícios previdenciários compartilha sala e contador com a empresa do candidato.

A conta final: o número que importa neste caso não é o preço do capacete nem a metragem da sala — é R$ 2 bilhões tirados de quem tem o benefício mais protegido pela lei. Enquanto a resposta oficial é o silêncio ou o “se posiciona nos autos”, os 4,3 milhões de lesados seguem esperando a única coisa que nenhuma versão pode substituir: a devolução.