BC vê ‘incerteza’ e defende ‘cautela’ para próximas decisões sobre os juros

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BC vê ‘incerteza’ e defende ‘cautela’ para próximas decisões sobre os juros

Mercado prevê mais um corte da taxa Selic ainda neste ano. A nova baixa de 0,25 ponto percentual, para 13,5% ao ano, foi projetada na edição mais recente do Boletim Focus, relatório que reúne as expectativas de analistas para os principais indicadores econômicos. A nova estimativa surge mesmo com a expectativa de inflação acima do teto da meta neste ano (+4,92%).

Autoridade monetária usa a Selic para controlar a inflação. A taxa Selic é a principal ferramenta de política monetária para conter os preços. Quando os juros sobem, o crédito fica mais caro, o que reduz a demanda por bens e serviços e contém o IPCA, principal índice inflacionário do Brasil, o que também segura o avanço da economia. O cenário oposto acontece quando os juros caem.

Desaceleração da economia contribui para a queda da Selic. O documento destaca que a perda de força do PIB (Produto Interno Bruto) no segundo trimestre atingiu segmentos mais “sensíveis” ao ciclo econômico, o que contribui para a missão do BC. “O arrefecimento da demanda agregada é um elemento essencial do processo de reequilíbrio entre oferta e demanda da economia e convergência da inflação à meta”, reforça a ata.

Riscos no radar

Diretores destacam a manutenção das incertezas geopolíticas. A ata observa que os riscos em relação ao cenário externo seguem em níveis elevados, o que abre margem para a evolução da inflação global. “A continuidade de indefinições em relação aos desdobramentos das tensões geopolíticas e seus efeitos sobre preços de commodities e insumos alteraram expectativas sobre a condução da política monetária nas principais economias avançadas”, diz o texto.

Falta de disciplina fiscal ameaça a taxa de juros neutra da economia. A evolução dos gastos públicos é mencionada como um entrave para prejudicar a sustentabilidade econômica e atingir a curva de juros. “Uma política fiscal que atue de forma contracíclica e contribua para a redução do prêmio de risco favorece a convergência da inflação à meta”, afirma o Copom ao defender a adoção de reformas estruturais para que as políticas fiscal e monetária sejam “harmoniosas”.